Ator e palhaço ao mesmo tempo Leandro R. Wejakewaki Para se fazer entender, a si próprio e aos outros, o homem, comumente, costuma se dividir em dois ou mais indivíduos. De fato o homem é um só, mas como conciliar (e entender) faces tão díspares, quanto a de um jovial e alegre apresentador, com um ator de peça de Maquiavel senão como dois seres independentes ? É assim, como não poderia deixar de ser, que se mostra Cassiano Ricardo, 35 anos, apresentador do programa "Enigma " (TV Cultura - Sábado, 19:00 hs). Descontraído e bem falante, ele falou um pouco de si, dos programas, dos boatos sobre sua pessoa e de seu desejo de escapar da figura alegre de apresentador. Entrevista AI - Como foi seu começo na TV? . CR - É Para quem mesmo? Casper Líbero? Você sabe quem foi Cásper Líbero? (risadas). Bem, comecei em 82 no Bambalalão (da Cultura), passei para o Som Pop (lembra?) e fui para a Bandeirantes do Rio de Janeiro, trabalhar no "Show de Rádio". Me chamaram novamente para a Cultura, para apresentar o "Enigma". Fiquei um poco receoso, pois nunca fiz um programa de auditório. Eu sou eminentemente um ator, ou seja, fiz teatro, passei para o cinema, comerciais,etc. AI - Seu estilo ao programa é você na vida real? CR - Sim, pois é cheio de altos e baixos, tem algo de excitação, é uma verdadeira mistura de sentimentos humanos- Misturo os estilos, passei por Flávio Cavalcanti, Sílvio Santos, ou seja, fazendo um "Zelig" de auditório de televisão, bem camaleônico, Fica bem anarquista, e como o próprio programa tem muita coisa a fazer e pouco tempo disponível, contribui bastante para o seu ritmo frenético, lutando contra o relógio. AI- Você começou como ator de teatro ou como comunic6logo? CR - Veja bem, a função do ator é comunicar, uma coisa que tem que passar como verdade com técnicas específicas. Só que o atual conceito diz que o comunicador é quem apresenta rádio ou TV o ator é um comunicador. Eu desenvolvo um trabalho paralelo de ator numa peça de Maquiavel, "Mandrágora" (Em cartaz no Teatro Aliança Francesa, segundas e terças às21:00hs). AI - Quais seus trabalhos para a TV que você considera gratificantes? CR - Na TV só o "Enigma". Fui a voz do Topo Gigio na primeira versão. Ah, e fiz "Fogo De Paixão" (longa-metragem) que estréia este ano. AI - Quais suas influências ? CR - Por ser ator eu uso recursos para apresentador personagens eminentemente cômicos. Por exemplo, Monty Phyton, o Mel Brooks, os Irmãos Marx, e tudo que seja bem pastelão. "Maltrates a Juventu- de e terás a Juventude". Começo do "Enigma" AI- Como foi o início do "Enigma"? CR - Péssimo. Pelo primeiro não voltaria no segundo. Só havia vinte pessoa na platéia, todas parentes. Fiquei tímido, "não soltei a franga", mas quando você é do meio, é só esperar, e num ano e meio dá para constatar a evolução. Se compararmos a audiência do "Enigma" com a dos outros programas da Cultura, equivaleria uns 20% em outros canais. AI- Já pensou em mudar de canal? CR - Não, mas você acaba pensando, pois o programa é bom e daria excelentes resultados noutro canal. Mas eu não faria isso por uma questão de posicionamento profissional. Eu estou bem aqui, se quiser fico ou saio. AI - Suas relações no programa ? CR - Fundamentalmente de trabalho e disso vem, às vezes, muita ou pouca amizade. Só o Maluf é amigo de todo mundo. Procuramos travar uma relação de trabalho, pois tudo depende de todos. Até a platéia, são "minhas colegas de trabalho". Desde que não atrapalhem a estrutura do programa... AI - Qual a sua relação com a Cornélia Herr? . CR - Temos uma grande amizade, que só não é mais aprofundada por falta de tempo. Nunca brigamos em um ano e meio de programa. AI - Falam que você corta a Cornélia durante o programa... CR - Olha, o programa tem um tempo, e toda vez que tem uma pausa desde dois segundos, somadas umas às outras, no final dá dois minutos a menos. Por vezes eu fico louco, é um tal de correr pra lá e pra cá, um verdadeiro atropelo. Mas um saca o "timing" do outro. É aquela velha história de compor o personagem, de criar conflitos entre uma personalidade e outra. Desse conflito sai algo excitante. Se eu fosse Blota Jr. e ela Sonia Ribeiro sairia tudo certinho, sem aquela excitação no público juvenil, que no caso vai até os 20anos. AI- Isso não Ieva a passar uma imagem de superstar que quer tomar o espaço para si? CR - Peraí, vamos por partes como diria o esquartejador. Eu não faço o programa para aparecer, não é Cassiano Ricado Show. Se não faço meu papel, assim como a Cornélia, o programa não sai. O "Enigma" só existe por que nós somos assim. Ao sair do palco estou esgotado, mas as pessoas me procuram, eu as atendo uma a uma, dou aUtógrafos que não são somente minha assinatura, há mensagens pessoais, uma dedicação a cada pessoa que fala comigo. É o respeita que tenho pelo meu público. (S.P.C.).